Friday, March 13, 2009
Thursday, March 12, 2009
Auto da barca do inferno
(Entra Cristiano Reinaldo com equipamento de marca e uma bola de futebol debaixo do braço)
C.R. Hou da barca?
Dia. Quem chama?
C.R. Rei da bola, Reinaldo
Dia. Entrai, entrai, que temos gentil maré
C.R. E onde vai?
Dia. Á terra das chamas, tão quentinha…
C.R. Para o inferno? Non vo eu per la!
Dia. Entra no batel que ao inferno hás-de ir! A tua vaidade te obrigará!
C.R. Vaidade? Eu apenas sô realisto! Na tua barca não irei!
( C. Reinaldo dirige-se a outra barca)
C.R. Hou da barca… Hou da barca?
Anj. Que me quereis?
C.R. que me deixeis embarcar.
Anj. Eu muito fora estou de te levar!
C.R. Mas eu sou Cristiano Reinaldo! Ninguém joga melhor futebol do que eu!
Anj. Nesta barca não entrarás…
C.R. mas sempre me portei bem. Nunca fiz mal a ninguém…
Anj. Muitas mulheres enganaste!
C.R. ( continua a falar, fazendo de conta que não ouviu)
Sempre pela pátria joguei…
Anj. Jogaste, pois, mas fazias-o pelo dinheiro, e gastaste-o mal.
C.R. eu?! Sempre só comprei o necessário, com o meu rude salário!
Anj. Aqui não entraras! É uma barca muito pobre para um rei como tu
Dia. Á barca! Estamos de partida!
C.R. Ao inferno me irei, mas que vida que levei…iludi-me pelo poder que tinha…
Dia. Cala-te! Já chega de mimalhices! Entra , que na ilha perdida terás a tua recompensa…
Tuesday, March 3, 2009
Descrição
Levantei-me a custo daquela cama mole e acolhedora, liguei o rádio, fechei a porta. Sentei-me em cima da secretaria e abracei o peluche que ele me tinha oferecido no dia de S. Valentim. Olhei pela janela, arvores e carros vestiam-se de branco, tinha nevado. Deitei-me sobre o tapete verde e fechei os olhos. Faltavam apenas 3 dias, iria deixar tudo aquilo. Observei de novo o quarto, sorri. Lembrei-me de quando era pequena e pedia á minha mãe esta ou aquela boneca que se encontravam na prateleira de cima, na estante, onde não chegava.
Fechei novamente os olhos, uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Faltavam apenas 3 dias, 3 malditos dias e tudo acabava.
Livro da minha vida
Desembrulhei a prenda. Era um livro. O meu primeiro livro. Era amarelo, tinha uma imagem de uma menina a atravessar a rua, por cima a letras grandes e gordas, lia-se “Amarguinha”
Não posso dizer que até aos dias de hoje foi o livro que mais gostei ou o que mais me marcou, contudo foi e sempre será um livro muito especial.
“-Mãe – perguntou o menino, com uma lágrima no olho - por que é que todas as pessoas de quem gostamos se vão embora?”
